" (...)
- Vais fazê-la à minha frente - repetia.
Estas palavras do pai marcaram Lenz durante anos. Vais fazê-la.
Estas palavras do pai marcaram Lenz durante anos. Vais fazê-la.
O acto de fornicar a criadita era reduzido ao mais simples: a um fazer. Vais fazê-la, era a expressão, como se a criadita ainda não estivesse feita, como se fosse ainda uma matéria informe, que esperasse o acto dele, Lenz, para ser acabada. Esta mulher ainda não está feita antes de tu a fazeres, pensou o adolescente Lenz, (...)."
TAVARES, Gonçalo M., Aprender a rezar na Era da Técnica, Lisboa, Caminho, 2007
(pp. 12-13)
Quero, muito brevemente, explicar porque publico este excerto. Acho fantástico que uma expressão que passa sempre ao lado ("Vais fazê-la"), de tão comum e simples que é, seja aqui tão atenciosamente criticada, pensada e ponderada. Para mais, isto pronuncia-se na cabeça de um adolescente, o que introduz à personagem uma ingenuidade que precisa de ser preenchida pela razão, uma busca de lógica.
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