sábado, 17 de dezembro de 2011

Feliz Natal :-)

Eduardo Lourenço é o Prémio Pessoa 2011

O filósofo e ensaísta Eduardo Lourenço foi hoje distinguido com o Prémio Pessoa que desde 1987 premeia figuras com um papel relevante no ano anterior nas áreas da cultura e da ciência.
O anúncio foi feito, como habitualmente, no Palácio de Seteais em Sintra por Francisco Pinto Balsemão, que preside ao júri também constituído por Fernando Faria de Oliveira (Vice-Presidente), António Barreto, Clara Ferreira Alves, Diogo Lucena, João Lobo Antunes, José Luís Porfírio, Maria de Sousa, Mário Soares, Miguel Veiga e Rui Magalhães Baião.
"Num momento crítico da História e da sociedade portuguesa, torna-se imperioso e urgente prestar reconhecimento ao exemplo de uma personalidade intelectual, cultural, ética e cívica que marcou o século XX português", escreveu o júri em comunicado sobre a escolha de Eduardo Lourenço, homenageando "a generosidade e a modéstia desta sabedoria, que tendo deixado uma marca universal nos Estudos Portugueses e nos Estudos Pessoanos, nunca desdenhou a heteredoxia nem as grandes questões do nosso tempo e da nossa identidade".
Para o júri, do qual Eduardo Lourenço foi membro até 1993, este prémio pretende prestigiar o filósofo e a sua intervenção na sociedade, "ao longo de décadas de dedicação, labor e curiosidade intelectual, que o levaram à constituição de uma obra filosófica, ensaística e literária sem paralelo".
"Não há dúvida que o nosso premiado é uma referência e o nosso país precisa de referências", disse Pinto Balsemão na entrega do prémio a Eduardo Lourenço.
Também Mário Soares destacou a importância deste prémio nos dias de hoje. "Num momento como este é particularmente importante dar o prémio a Eduardo Lourenço porque para além de tudo é um homem que acredita em Portugal e nos portugueses", disse em Sintra.
Segundo o comunicado do júri, "Eduardo Lourenço é um português de que os portugueses se podem e devem orgulhar. O espírito de Eduardo Lourenço foi sempre reforçado pela sua cidadania atenta e actuante. Portugal precisa de vozes como esta. E de obras como esta".
O prémio, de 60 mil euros, é uma iniciativa do jornal "Expresso" (do grupo Impresa de que é presidente executivo Pinto Balsemão) e tem o patrocínio da Caixa Geral dos Depósitos.
Os escritores Herberto Hélder, Vasco Graça Moura, a pianista Maria Joao Pires ou o bispo D. Manuel Clemente foram alguns dos nomes premiados com o galardão que comemora este ano o 25º aniversário. A vencedora do ano passado foi a cientista Maria do Carmo Fonseca, directora executiva do Instituto de Medicina Molecular da Universidade de Lisboa. O júri - que diz querer ir contra "uma velha tradição nacional" de apenas reconhecer postumamente os autores de grandes obras e promover o seu reconhecimento em vida - destacou a sua "cultura de rigor".


16.12.2011 - Ana Dias Cordeiro
http://ipsilon.publico.pt/livros/texto.aspx?id=298150

Feliz Natal 2011

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Frequência

Grandes manobras
Vasco Pulido Valente in Público, 4/12/11)
Sarkozy e Merkel, ou melhor, Merkel e Sarkozy declararam a sua vontade de “repensar” e “refundar” a “Europa”. Por cá pouco se disse sobre o assunto: na televisão, as comemorações do fado e um naufrágio de pescadores passaram à frente, até no suposto serviço público da RTP. Ninguém se perguntou ou discutiu o que as reformas da Alemanha e da França queriam dizer para nós. Vamos ficar melhor, pior, na mesma? Uma coisa é certa: os dois poderes dominantes da “Europa” finalmente perceberam o que toda a gente já lhes tinha explicado ou, por outras palavras, que o euro não podia sobreviver sem um governo económico, a que se chama agora “governança” ou “governação” para não assustar, mas que no fundo implica uma política fiscal comum, um tesouro comum e um banco emissor comum. E é aqui que as dificuldades começam. Sendo, em princípio, a UE uma associação de Estados democráticos, em cada um deles o Orçamento é da exclusiva competência do parlamento nacional: um ponto que a própria sra. Merkel insistiu em lembrar. Nada garante, por isso, que os 17 países da “zona euro” cumpram sempre e rigorosamente o que em Bruxelas lhes mandam fazer.
Quanto ao tesouro comum e ao banco emissor, a Alemanha não os tenciona aceitar, sabendo perfeitamente que os pagaria, em prejuízo doméstico e em prejuízo de uma eventual expansão a leste. Só há assim uma solução à vista. Fingir, como de resto sempre se fingiu, que a UE respeita a democracia, mas de caminho arranjar um directório que determine e vigie os membros do “clube” que por qualquer motivo se tornem “suspeitos” e, coisa fácil, pôr na ordem com penas “pesadas” quem prevaricar.
A isto a sra. Merkel dá o nome simpático e tranquilizador de “união fiscal”, um arranjo em que a Alemanha mandará sem risco e a França de quando em quando meterá a colher, para puros propósitos de camuflagem. Claro que este processo tarde ou cedo criará uma “Europa” de três patamares: dois dentro na “zona euro” (o primeiro para os pobres e o segundo para os ricos) e um fora, que receberá, ou não receberá, as benesses que Bruxelas lhe entender esmolar. Quanto a Portugal, se por acaso se portar bem, continuará na sua habitual miséria (pelo menos, 20 anos calculam os peritos), se
entretanto não pisar o risco e for expulso (do euro) por indecente e má figura.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Distopias

Aprendi que gosto de distopias. A primeira que li foi o Farenheit 451 e admito que foi um bom começo. A partir dessa obra, o género fascinou-me e incentivei-me a procurar outras.

As distopias, umas melhores outras piores – como todos os géneros –, têm uma particularidade estupenda: o inconformismo. Esta particularidade faz transparecer um pensamento crítico, o pensamento como conceito; um pensar numa sociedade acomodada no não pensar. É completamente intrigante o simples facto de valorizar o pensamento. Passa-nos, muitas vezes, despercebido. É de um imenso valor podermos aprender a pensar e sabermos pensar. Já pensaram nisso?

Para mim, esta é uma qualidade da literatura e a razão principal pela qual eu a aprecio: dá-nos comichões de pensar. Pensamos no teor das frases, no conhecimento injectado em palavras estéticas – em jogos de palavras – , no que a partir disso pensamos: primeiro para compreender na sua totalidade, depois para concordarmos ou contestarmos. E porquê – o tão importante porquê. Se não questionarmos, não aprendemos; repetimos informação. E normalmente mal.

Só para deixar o gostinho, caso a curiosidade de alguém tenha trazido também alguma comichão, além da primeira distopia que mencionei, deixo aqui mais duas (todas elas bem pequenas, para termos tempo para tudo, incluindo pensar sobre o que lemos): The ones who walked away from Omelas, da Ursula K. Le Guin, não encontrei nenhuma tradução em português, mas há em brasileiro com o título Aqueles que se afastaram de Omelas; e The Machine Stops, de E. M. Forster, mais uma vez traduzida para brasileiro com o título A Máquina Pára, de Celso R. Braida. Se conseguirem lê-las na língua original, recomendo (é sempre melhor e nada se perde ou ganha com a tradução), ou então que consigam melhores traduções que aquelas que consegui (a segunda achei uma boa tradução, já a primeira tem falhas um pouco graves). Em todo o caso, a essência está lá, leiam e que isso vos motive a procurar uma melhor tradução. O Farenheit 451 tem uma boa tradução em português na editora Europa-América, mas não vos reduzirei a uma única editora, uma vez que não li outras traduções – não se julga o que não se conhece, não é verdade?

Boas leituras!