Uma história portuguesa
14.06.2009, Vasco Pulido Valente
Em 5 de Junho de 2009 recebi uma carta de uma empresa chamada Medialivros, S.A., que desconhecia e que, na aparência, também junta a Inapa, a Difel e a Gótica. Numa prosa satisfeita e analfabeta, a carta dizia o seguinte: "Exmo. Sr., Temos o prazer de informar que segundo a cláusula quarta do Contrato de Edição do seu livro "Glória", vamos nesta data enviar-lhe pelo correio, em separado, 10 exemplares da 5ª edição, publicada no passado mês de Outubro. Com os nossos melhores cumprimentos, Maria Alzira Vasconcelos (Secrt. Administração)." Fiquei estupefacto. Por várias razões. Para começar porque, apesar de alguns boatos, não sabia que se fizera (não imaginava quem) uma nova edição de Glória. E, depois, porque de Outubro até Junho ninguém me informou de que isso tinha de facto sucedido. Nem a Medialivros, S.A.
Assinei o contrato de publicação de Glória com a Gótica em 2001. Dessa altura para cá não me prestaram contas de direitos de autor. Ou, evidentemente, me comunicaram que o livro estava esgotado ou quase esgotado. Não me manifestaram também qualquer interesse em o reeditar. A venda da Gótica à Medialivros, S.A. não me foi participada e não me perguntaram, como seria de esperar, se queria manter o contrato com a Gótica numa situação diferente e, para mim, indesejável. Em Outubro, a Medialivros, S.A. não me telefonou ou mandou um mail. Nada. Para a Medialivros, S. A. nunca passei de uma oportunidade de negócio - de uma maneira de aproveitar o fundo da gaveta da Gótica. À minha revelia.
Devo, assim, declarar que não autorizei a reedição de Glória, que nunca reeditaria o livro na sua forma actual e que desaconselho a toda a gente a sua compra. Tanto mais quanto a Medialivros, S.A., sob o seu nome de Gótica, resolveu acrescentar ao título - Glória - um subtítulo grotesco, digno de tablóide, que desvirtua inteiramente a natureza do estudo de história cultural, que na realidade escrevi: "A vida do político, jornalista e criminoso José Cardoso Vieira de Castro." Tencionava rever e corrigir o livro (um dos que, aliás, prefiro). O comportamento da Medialivros, S.A. torna por um longo tempo esse projecto impossível. Não consigo conceber como uma editora trata um autor e uma obra (boa, má ou medíocre) com o desprezo com que a Medialivros, S. A. tratou este caso. Há coisas que não se explicam.
Sem comentários:
Enviar um comentário