quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Ler: Fernando Pessoa

II. Autopsicografia
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

1. Identifique as partes do texto. 2. Quantas dores há – e de que tipo é cada uma? 3. Explique, por palavras suas, o sentido da segunda estrofe. 4. Em vez de “dor”, que outras palavras poderiam ser ali usadas? (Indique pelo menos uma; três, se possível.)

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