segunda-feira, 28 de novembro de 2011

O ESPELHO DE NARCISO

Quando Narciso morreu, as flores do campo curvaram-se de dor, e imploraram ao rio que lhes desse umas gotas de água, para poderem chorar.


- Ainda que metade de todas as minhas gotas de água fossem lágrimas - respondeu o rio - não seriam suficientes para chorar Narciso. Eu amava-o.


- E como podia alguém não amar Narciso? - perguntaram as flores. - Ele era tão belo.


- Ele era belo? - perguntou o rio.


- Quem melhor do que tu deveria sabê-lo, -perguntaram as flores - se todos os dias, deitado na tua margem, ele via o reflexo da sua beleza espelhado nas tuas águas.


- Mas eu amava-o - murmurou o rio - porque quando ele se inclinava sobre mim, eu via o reflexo da minha beleza nos seus olhos.




WILDE, Oscar, Histórias à volta da mesa, Coisas de Ler, 2008

domingo, 27 de novembro de 2011

A aula de 22 do 11

Na quinta fizemos um exercício em aula, enfim, uns vinte exercícios. Quase Guiness. Tentar fazer a várias mãos um texto coerente. Um exercício útil de adaptação, integração e compreensão do discurso. E está documentado!

Pode ver aqui.
E também aqui.

sábado, 26 de novembro de 2011





Link


Próxima programação da gulbenkian
Domingo, 04 Dez 2011,19:00 - Grande Auditório
Max Raabe & Palast Orchester

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Sobre a aula de terça 22

Ontem, estávamos nós a ouvir Sakamoto na sala (enquanto trabalhávamos, atenção!), estava Sakamoto a trezentos metros dali a dar um magnífico concerto - de que aqui fica um resto. A crítica do Público de hoje é um exemplo positivo de como se faz uma crítica: agarrando nos factos-do-texto (o concerto real com as músicas reais) e, depois, com essas pinças chamadas palavras, delicadamente tentar "traduzir" o espírito da forma e a forma do espírito.

Eu diria que esta aula foi, à nossa maneira, um momento poético. E eu gosto disso: de quando uma aula, por mérito das partes intervenientes e de algum acaso à mistura, consegue ter qualquer coisa de musical.

Para mim valeu por duas, até porque amanhã vou ter algum trabalho (mas também prazer, espero) a ler os vossos textos.

Ryuichi Sakamoto

[Gonçalo Frota, Público, 23/11]
Os samurais também choram
Ryuichi Sakamoto
Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian. Segunda-feira, 21h00
Sala cheia

De uma maneira ligeiramente rebuscada, percebe-se na música de Ryuichi Sakamoto a sua convicção ecologista. Sobretudo em concerto, o respeito pela composição, a permanente aversão aos excessos e aos desperdícios, a utilização absolutamente justificada de cada nota parece, de facto, ecoar esse traço pessoal de Sakamoto. O concerto na Gulbenkian, esgotado há semanas, foi disso magnífica prova: cada nota, como sempre, foi colocada no sítio num lento e tocante movimento de delicadeza.

E toda esta abordagem, que era já a bússola da gravação em trio em 1996 (do mesmo ano), foi refinada com os anos que Sakamoto passou entretanto ao lado de gentes da experimentação electrónica, a rarefazer as melodias do seu piano. Daí que um concerto como este exija respirar fundo e deixar o mundo lá fora, obrigando a uma tão bela quanto violenta desaceleração do ritmo e do ruído das cidades. A música de Sakamoto vem em contraciclo – o que, em certa medida, resolve com eficácia aquele que o músico considera o grande desafio do seu trio clássico: fazê-lo soar contemporâneo, embora numa prática exemplar de depuração e obsessão melódica raras nos nossos dias.

Esta solução impôs-se de forma contundente com uma abertura soberba: improvisação nas cordas do piano, seguida do tema Fukushima #01 (homenagem às vítimas do acidente nuclear). Sozinho ao piano, Sakamoto começou por tratar o instrumento como se pudesse parar em seguida e reclamar que lhe tinham dado teclas a mais. Parecia, às tantas, estar a musicar uma chuva em câmara lenta que possivelmente caía lá fora. Esta mesma postura marcaria uma das principais diferenças de arranjos entre 1996 e o triode 2011 – Jaques Morelenbaum no violoncelo, um colosso de elegância, e Judy Kang no violino –, aplicando travões num tema maravilhosamente frágil e já de si pouco dado a pressas, Merry Christmas, Mr. Lawrence.

Perante uma sala habituada às regras da música clássica, foi curioso ver como Sakamoto se sentiu obrigado a dar dois acenos com a sua cabeleira branca sinalizando que se podia aplaudir após o primeiro tema – são canções e não andamentos. Mas a mensagem estava já presente no palco, com uma humorística subtileza de Judy Kang. Em frente ao lugar da violinista esteve sempre um violino modernaço modelo flying V – um fetiche dos guitarristas de heavy metal – em que Kang não encostou um dedo durante toda a actuação.

Pontuando o concerto com inéditos (enquanto trio) – o piano a patrocinar a procura entre violino e violoncelo em Still life in A ou o magnífico piano com rasto de
Solitude –, as grandes interpretações vieram do reportório de 1996, em temas como Bibo no Aozora, The last emperor e a excelente dupla final mais dramática de M.A.Y. in the backyard e 1919 (que soa como um bombardeiro da I Guerra Mundial). Nos três encores, houve um Chanson pour Michelle (de Tom Jobim) pedido via Twitter e a surpreendente Ichimei, escrita
para o filme homónimo do sanguinolento Takashi Miike – o que nos reconduz ao essencial: com Sakamoto, os samurais também choram, não há friezas impenetráveis.

[Exercício facultativo: sublinhar as passagens que nos parecem merecê-lo.]

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Um modelo para escrita de artigos

FOLHA DE ESTILO

IDENTIFICAÇÃO DO ARTIGO E DO AUTOR
1. Título: Times New Roman; corpo 12; 1,5 espaços; centrado; negrito.
2. Autor: 3 espaços (2x 1,5) abaixo do título; centrado.
3. Filijavascript:void(0)ação: imediatamente a seguir ao nome do autor.

TEXTO E CITAÇÕES
1. Texto: Times New Roman, corpo 12; 1,5 espaços; justificado
1.1. Alíneas: Evitar usar numeração automática
1.2. Subtítulos: evitar usar maiúsculas em toda a frase
1.3. Notas: não separar o número da nota com um espaço. Escrevê-lo junto ao texto corrido
2. Tabulações: Não fazer tabulações para parágrafos, usar o alinhamento de parágrafo na primeira linha.
3. Citações com 4 ou mais linhas: sem aspas; indentadas à esquerda, 1,75 cm; separadas do corpo de texto; corpo 12; 1 espaço.
4. Citações no corpo do texto: usar aspas curvas e, se for utilizada pontuação imediatamente a seguir, colocá-la depois de fechar aspas.
5. Referências parentéticas no corpo do texto: entre parênteses curvos, apelido do autor(es) seguido de espaço seguido de página(s): ex.: (Postman 3-4)
a. Em caso de várias obras do(s) mesmo(s) autor(es): colocar apelido do autor, seguido de vírgula, seguido da abreviatura do nome da obra, seguido de espaço, seguido de página(s): ex.: (Toffler, Future 211)
b. Quando se colocar o nome do autor na frase: colocar apenas página(s) na referência parentética: ex.: (25)
6. Notas de rodapé: reservar para breves comentários ou digressões. Utilizar o modelo de referências 5 e 6.

LISTA DE OBRAS CITADAS
1. Obras citadas: no final do documento; início de uma nova página numerada na sequência do artigo; título centrado; Times New Roman; corpo 12; bold (negrito). No caso do texto ser em inglês, usar Works Cited.
2. Ordenação: ordenar alfabeticamente por apelido de autor.
No caso de mais de uma obra pelo mesmo autor, ordenar alfabeticamente por título. Substituir o nome do autor por 3 travessões.

LIVROS
Modelo para citar um livro:
Apelido do autor, 1º nome. Título do livro. Outras informações. Cidade de publicação: Editora, data de publicação.

Exemplos:
a. Um livro por um autor:
Light, Richard J. Making the Most of College: Students Speak Their Minds. Cambridge: Harvard UP, 2001.

b. Uma antologia ou compilação:
Valdez, Luis, and Stan Steiner, ed(s). Aztlan: An Anthology of Mexican American Literature. New York: Vintage-Knopf, 1972.

c. Um trabalho numa antologia:
Silko, Leslie Marmon. “The Man to Send Rain Clouds.” Imagining America: Stories from the Promised Land. Ed.Wesley Brown and Amy Ling. New York: Persea, 1991. 191-95.

d. Uma tradução:
Giroud, Françoise. Marie Curie: A Life.Trans. Lydia Davis. New York: Holmes, 1986.

e. Um livro com um título no seu próprio título:
Habich, Robert D. Transcendentalism and the Western Messenger: A History of the Magazine and Its Contributors, 1835-1841. Rutherford: Fairleight Dickinson UP, 1985.

ARTIGOS EM PERIÓDICOS
Modelo para citar um artigo num periódico:
Apelido do autor, 1º nome. “Título do Artigo.” Título do periódico Data: páginas.

INTERNET OU FONTES DA “WEB”:
Modelo para citar informação da Internet ou fontes da “Web”:

Apelido do autor, 1º nome. “Título do artigo” ou Título do livro. Informações da publicação de qualquer versão impressa. Ou assunto do fórum ou grupo de discussão. Indicação da morada electrónica ou página inicial. Título do jornal electrónico. Data da publicação electrónica. Páginas ou número de parágrafos ou secções. Nome da instituição ou organização patrocinadora do site. Data do acesso à fonte .

N.B. Para os casos não previstos na presente folha, os autores devem consultar:

Trimmer, Joseph F. A Guide to MLA Documentation. Boston & New York: Houghton Mifflin Company, 2004.

Do pleonasmo

Bem engraçado e observado, este número.